Dentro do Entre
Dentro do Entre
Com anelares e indicadores


quarta-feira, maio 26, 2004  

Dizer-te
sobre esse jeito que agitas em dias altos
quando de ti me corre
a urgência de corpo vivo.
Sabes (sabes) que me és acrescento
um tudo inteiro somado,
contorno que se alonga na pele que é mais,
porque me sobraste
quando te quis no corpo.
Sentido largo hasteado em mão
que não é já
naufrágio.

posted by Cat S | 3:13 da tarde


terça-feira, maio 25, 2004  

Apareces-me na inteireza absurda que é a evidência da tua morte. És-me vertigem.
Sentir-te tanto de tão junto que me és e ter peso em mãos pela ausência que se mostra de cada vez que penso o teu nome.
Afonso, a leveza que serás, porventura, agora, carrega-me o corpo.
Cansaço todo.
Nada teu a deslizar-me na força.


Cantar-te a vida
Sem ponto que seja
Sem pausa
Sem paragem
Canto longo
Em mão que corre.

Troca lançada
Em dia de promessa.

posted by Cat S | 11:34 da manhã


quarta-feira, maio 19, 2004  

Encerro maior,
esse
com que te terminaste
na primeira metade da manhã.
Tu
a doer-me como rasgo obscuro,
quebra velada.

Quiseste ser longe,
despedaçado
do alto em que te inicias
até ao ponto difuso
em que te acabas.

Nada absoluto
esse
que te julgo erguido
no braço pálido
que escorre a cor
em chão descaído.

Imagem viva
(ou imagem, ainda)
nalgum desespero de mãos,
nalgum corpo
em que vagueie pesada,
forte,.
a evidência absurda
do teu abandono.

Não te sei (porque nunca te soube) o antes,
e esse corpo em que desliza a posse
a gritar-me agudos no começo da manhã
a tropeçar nervoso na condição que assumo
a acordar-me a dormência
doce
de dia sereno.

Dois instantes
intermitência do que é, sentindo.
Foste.

posted by Cat S | 10:49 da manhã


sexta-feira, maio 14, 2004  

És, agora,
O interstício difuso
O momento breve
Em que me desuno da palavra.
Surges aí, assim,
Como aparição
Como todo reunido contigo
Onde eu sou boca e dedo que a cala,
Fugindo-me ao corpo
A certeza da tua ausência.

Ciclo palavreado dos tempos,
Iniciado em ti
Terminando-se no que de solto tem a palavra.

A vida que se te acabou.
Mas
Se de ti conhecem o verso
De ti conhecem o sangue.

Prolongar-te-ei o canto
Comungando contigo
Em linguagem profunda.
Afonso.

posted by Cat S | 4:26 da tarde


quinta-feira, maio 13, 2004  

Se
pousasses em voz pelas coisas
dirias
Passo pelo corpo teu
como corpo igual
que se retorna.

posted by Cat S | 10:42 da manhã


terça-feira, maio 11, 2004  

Boca firme
Em fecho cerrado.
Tu teimoso pelo tempo, sendo tempo também – a largar rastos físicos em trilho físico –
e ser-se no querer
ou
não se ser,
na verdade.

És agora o que sobra
e tenho medo que sobre o menos que é
reinventar-te no turvo de tempo ido. Por vezes parece-me (por vezes)
discurso meu a mim,
que mistura de ti
apenas o nome
em linha que corre.

Memória que não é já
a Chama.



(Mão rápida contra um nada.
Soubesse eu, Afonso,
o que lateja submerso na carne
o que pulsa agudo em corpo,
em tempo.

Soubesse eu, Afonso,
onde pôr a saliva.)

posted by Cat S | 11:33 da manhã

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