Dentro do Entre
Dentro do Entre
Com anelares e indicadores


quinta-feira, janeiro 29, 2004  

Saldas com os dias a promessa dos astros e do invisível
e eu adivinho, do meu canto,
a presença que arrastas contigo pelo chão da casa.
Tu muito junto contigo,
denso em toda a composição
e uma espécie de halo fogoso a tornear-te a carne
que crepitas na constância das horas.

Feita de ti a força que te sai.

posted by Cat S | 3:11 da tarde


sexta-feira, janeiro 23, 2004  

Soube-te vezes sem conta
No espaço vazio
E na incerteza de canto preenchido.
Soube-te no peito justo,
Pequeno, dobrado
Em mão fechada.
Soube-te no devagar em que chegaste
E sabia-te antes da aparição de corpo
Porque te intuia no intervalo da carne,
No interstício de caminho uno.
Soube-te mesmo quando não me sabia o pulsar,
No nada firme,
No chão que termina, acaba,
Desenhando no gesto aflito
A convicção minha de ti.
Soube-te na espera,
No banco de jardim em lado-nenhum.
Soube-te na oração
Na palavra que se lança ao alto
Para que no ar se rasgue
O que se quer.
E sei-te agora,
Num perto que ato a nó
Porque me sei a lembrar-te
Em dias muitos, dias todos, talvez,
No adiante que,
Sei-o,
Saberá encerrar-nos
Serenos.

posted by Cat S | 2:59 da tarde
 

Vejo,
sem cortina, sem pó e sem o turvo,
o momento em que te punhas à janela.
Corpo nu e vidro partido de um dos lados,
de onde afastavas a face que sangrava já de ligeiro, ritmo brando
– como tudo em ti, também a veia a secar devagar -
E olhei-te, com vermelho no parapeito, a sentir-me aflita até ao arrepio,
por ver que alguma coisa de ti se escapava, alguma coisa, sabes,
maior que o sangue, (e tu distraído)
a escapar-se liquidamente na fluência vermelha.

Já eras, então, a menos.

posted by Cat S | 2:00 da tarde


terça-feira, janeiro 20, 2004  

Olhavas tudo
com entendimento profundo,
entendimento todo
e paravas, às vezes,
- sítio incerto -
a encher mais o castanho redondo,
aquele
que fixavas em entretantos longos
no corpo meu,
demorando a cor
no atravessar da carne.

E Percebias.

posted by Cat S | 10:20 da manhã


sexta-feira, janeiro 16, 2004  

Paradox Cat

Sabes?
Foi longo o caminho até à chegada
porque puxado em comprimento todo.
Saiu dos eixos e continuou-se,
perdido,
e eu perdida com ele (sabes?)
na rectidão da forma.

Chão fixo apenas
com nada a pontuar-lhe a volta,
chão muito, sabes,
em que se anda
até ao adiante estendido
em que o corpo já não toca.

Tu meio cruzado com a promessa,
(o outro meio com o caminho)
mão dada,
palavra junta.

Em busca...

posted by Cat S | 12:41 da tarde


quinta-feira, janeiro 15, 2004  

A iniciar o juntar de mãos na palavra escrita.
Com o meu amigo Paradoxo.

Breve.

posted by Cat S | 5:24 da tarde


quarta-feira, janeiro 14, 2004  

Um cigarro a queimar a espera
pelo esticar de lucidez que demora.
O não-estar no prolongamento que recusaste,
quando te levantaste da cadeira e abandonaste o mogno do móvel,
dançando muito entre as paredes
a fingires que eras vivo.

Foste mentira com a pele toda,
falácia a mover-se no passeio torto,
exponenciaste o engano
até à realidade suspensa
e foste pelos dias
de riso aberto.

Que sítio
Que chão
Que canto
para esconderes a carne dela mesma?

Que Carnaval?

Não há mundo que chegue
para que te esqueças,
escondas
Afonso.

posted by Cat S | 10:23 da manhã


quinta-feira, janeiro 08, 2004  

Voz que se atira ao alto
e logo o ar rasgado a gritos descendentes.
A queda da parte a emprestar vertigens ao todo
encerrado em corpo cruzado,
corpo diagonal
com o salivar pelas chegadas
que tremem a perna em impaciencias de tempo antigo,
tempo gasto,
tempo muito.

A mão no bolso,
a mão sempre no bolso
a agarrar (dedo rápido)
o nada que repousa no forro
e inventar-se, no acontecer do dia, de novo calma,
com música ligeira na ponta das unhas.
de novo no corpo
a serenidade do músculo.

E na brevidade do morno
e na agudeza de sons calados a indicador,
percebe-se um pouco
do tempo morto de peixes no aquário,
percebe-se um pouco
do caminho que se percorre até que se chegue
(a algum lado ou a lado nenhum)
Percebe-se um pouco (um pouco, um quase-nada, um nada, quase)
de tudo o mais
de tudo o mais o que se desenha e corre a vermelho
no tracejado colorido carregado na pele.

E no momento parado
sonhado, talvez,
do corpo solto, pesado,
em sofás de final de tarde,
um pouco de todas as vozes
no gorgolejar aflito da garganta que dói,
no rasgar seco do som que cai,
no queixume ósseo do movimento em pausa.

Sei-me, então, granular,
do açucar ou da fragilidade,
e creio-te, então,
cosido com força maior,
com densidade de carne que não tenho,
sustentáculo corporal
que aceito
a cruzar os braços no peito aberto,
a fechar muito os olhos
e a fechar a palavra em sons sustidos,
para por aí ficar,
em ti,
até ao tempo velho,
branco no cabelo, talvez,
em que reste, apenas,
o momento cristalizado.

Serei, então, contigo.

posted by Cat S | 10:43 da manhã


segunda-feira, janeiro 05, 2004  

É tempo.
Revelar-te, assim, em jeito arterial, o todo meu que eu mesma desconheço.
Corpo contrário,
corpo avesso.
Virar a pele e uma célula que se escapa - ops, obrigado, é minha -
E depois uma tarde qualquer virada para a madeira do banco,
pés juntos, dedos ansiosos.
Ouvir histórias minhas
soltas por ti.

posted by Cat S | 10:52 da tarde


domingo, janeiro 04, 2004  

Um conflito terrível com o computador forçou-me a ausência durante estes dias.
De volta, com votos atrasados de um óptimo 2004 para todos.:)

posted by Cat S | 9:19 da tarde

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