Dentro do Entre
Dentro do Entre
Com anelares e indicadores


sexta-feira, dezembro 19, 2003  

Mãos abertas
e os traços fundos,
contentes,
a crescerem incertos enquanto os olhavas
no fixar perplexo
de quem tem a vida nas mãos.

E eram de toque leve, Afonso,
grandes a abarcarem tudo,
como se não soubesses de tamanhos e alturas,
agarrando pequenas impossibilidades
tornadas falange, depois,
entre dedos apertados.

Mapa físico
e agora mapa letrado,
as mãos tuas de ritmo brando,
compassos teus fechados contigo
agora em nenhuma música, Afonso,
em lugar nenhum.

Músculo versejado,
apenas.

posted by Cat S | 10:28 da manhã


quinta-feira, dezembro 18, 2003  

O corpo vai-se arrastando num borbulhar aquoso,
avivado na intermitência dos passos por brisas intercaladas
que me chegam como metade,
a outra já a repousar na confusão de mãos inchadas pela cortina de calor.
Um arraial seminu de exaltações bronzeadas,
rádios baratos a gritarem numa aflição de pilhas,
delírios febris lavados no mar, a onda que espuma contágios insanes.

O calor passeia-se nas articulações que já não tenho,
dilui-me na vaga de feixes asfixiantes
por entre o desfiar carnal enfeitado a cores de toalha,
na areia cáustica que cozinha o saltitar corporal.
Perdi a forma e a firmeza do traço,
mosaicos amontoados no meio de gargantas aspirantes,
a leveza da consistência líquida
e sentir-me mais assim, não sendo, não estando...

Um aplauso ao tumulto de forças maiores,
atenuar a minha condição pulsante até ao expoente máximo do nada,
um estado quieto que a terra engole numa espécie de catarse primordial
levando-me à origem minha
e das coisas.

posted by Cat S | 3:02 da tarde


terça-feira, dezembro 16, 2003  

A inquietação venosa
traz gôndolas e jangadas sonâmbulas
que vagueiam em ladrilhos de espuma
atirando pequenas dormências líquidas
que acalmam o calor
e adormecem a pele.

Ou o giz
ou a argila
(e uma foice que golpeia o espartilho)
para flautear faixas paralelas ao horizonte,
menos rectas,
menos direitas.

Hoje, delírios ondulantes
até que o dia acabe.

posted by Cat S | 10:35 da manhã
 

Por vezes deixo-te ir
envolto num perfume de hálitos,
num entrelaçar quieto,
calado,
de auras pintadas a sabão.
E antes do distanciar físico
estendo-te uma candeia
que atinges com um sopro,
para que vejas, com um virar de cabeça,
todo o teu Universo.

- O teu ascender a ti -

E fico à espera,
mão na mão, mãos uma na outra,
por entre uma dissipação de luzes - o crepúsculo anunciado -
pela aparição tua a toques de asa,
pela evidência corporal distendida na espiral descendente
por um movimento destoante.

- A queda de matéria na tela fixa azul -

posted by Cat S | 10:28 da manhã


sexta-feira, dezembro 12, 2003  

Movimento constante
e movimento longo,
esse teu ritmo dançante
versejado a vermelho nas pautas
e entendido melhor assim, com voz rouca,
voz pouca,
voz muda.

Ter um momento (um momento)
em que tudo se cala.
Pôr os olhos aos ombros
e ver o todo que se oferece,
deixar a percepção desviante da sílaba na língua
e dar a tudo, em tudo,
o toque de corpo a tom fechado
deixando um pouco de pele nos cantos.

Mistura-mistela de vermelho pulsante.
Um pouco do todo a correr nas veias.

posted by Cat S | 3:28 da tarde


quinta-feira, dezembro 11, 2003  

Não te conheço a ausência.
Estás antes,
no meio
e depois
de tudo o que me cruza os dias.

posted by Cat S | 2:54 da tarde


quarta-feira, dezembro 10, 2003  

A todos os que têm passado por aqui o meu muito obrigado.

posted by Cat S | 9:46 da manhã


terça-feira, dezembro 09, 2003  

E vi-te, Afonso, daqui deste canto,
daqui deste sitio.
Costas voltadas e um adeus longo nas pontas dos dedos.
O abandono do Tudo a ti.
Penso-te longe
e penso-te Livre.

posted by Cat S | 11:36 da manhã


sexta-feira, dezembro 05, 2003  

O homem na esquina.
Braços abertos, chuva no corpo.
E era assim que passava pelos dias, bebendo-os pelos poros.
Quando se enchia demasiado transbordava
e afagava liquidamente todos em volta.
Chamava-se Afonso.

(ao Seleno pelo toque no ombro)

posted by Cat S | 4:24 da tarde
 

Por agora
serei aquilo que as tuas maos me fizerem
e pertenco-me mais assim,
pela vontade solta
na palavra e desejo firmes
de ser corpo moldado
e historia tua.

posted by Cat S | 10:18 da manhã


quarta-feira, dezembro 03, 2003  

Mosaico com carpete ao meio,
as gentes que passam e alguém que pára - um bom dia para si -
e pernas dobradas sem que o músculo doa.
O maço vazio
e um cigarro no bolso.
Pedra solta na calçada
e o corpo que escapa, contorna.
O acordar macio com sons de colher a bater na chávena
e abrir muito a boca, assim, em risos demasiados.
Repetir o que é bom,
repetir o que é bom,
repetir o que é bom.
A noite que chega todos os dias
e o tempo a mais quando a hora muda.
A espera que redimensiona a chegada,
e alguém a pôr um cobertor
que barra o frio.

Mesmo que tudo o resto falte,
falhe,
isto será o suficiente.

posted by Cat S | 2:44 da tarde


terça-feira, dezembro 02, 2003  

Muda-me de sítio.
Abrir os olhos e tudo estranho,
tudo por saber.

posted by Cat S | 3:56 da tarde
 

A secretária e os livros abertos.
Quatro dedos (um distraído) por cima de linhas letradas.
A voz alta sozinha no quarto e um fim de semana na intermitência (que deixará de o ser, tudo passa) de conceitos.
O reter e o entornar.
Frequência feita e o tempo, novamente.

posted by Cat S | 12:09 da tarde

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